CERVEJA

Polo Cervejeiro: Campinas tem histórico de produção de cervejas

11 de julho de 2021 - Por Beatriz Mirelle

Cerveja em garrafa marrom, verde, transparente, em lata ou em growler. Para os apreciadores (que no Brasil não são poucos), a embalagem é motivo de dúvidas e polêmicas, incluindo sobre qual a melhor forma de apreciar a bebida. Por isso, o Bom Gourmet ouviu especialistas que explicaram como as cores das garrafas e outras formas de envase influenciam (ou não) na qualidade da cerveja.

Quando o assunto é garrafa de vidro, a cor mais tradicional à disposição do consumidor é a marrom ou âmbar. “A cerveja é um alimento que tem como maior inimigo a luz. O vidro é impermeável, de sabor neutro, não deixa passar oxigênio e protege o líquido do calor e da luz ultravioleta”, explica José Alberto Florindo Filho, mestre cervejeiro da cervejaria Berggren. "E a cor marrom é a mais indicada para esta proteção", completa.

“O lúpulo é o ingrediente que confere sabor e o grau de amargor à cerveja. A luz em excesso deteriora o ingrediente, que é fotossensível, e acaba conferindo um amargor adstringente e desagradável à bebida”, diz.

O mestre conta que o lúpulo tem em sua composição alfa-ácidos que, quando aquecidos, geram iso-alfa-ácidos. São eles que afetam o que a indústria chama de “drinkability”. “O lúpulo influencia diretamente aquela caraterística da boa cerveja de, após o primeiro gole, o apreciador querer repetir”, resume. Entre os cervejeiros, os sabores e odores ruins recebem um nome nada charmoso: skunky, que em português quer dizer “cheiro de gambá”.

As garrafas de cerveja verdes eram mais comuns até os anos 1930. Foto: Bigstock

Então, por que existem marcas com garrafas verdes e até transparentes? “Esse é um assunto que gera polêmica entre os cervejeiros. Mas, tecnicamente, as cores mais claras são piores para a cerveja”, garante José Florindo. Curiosamente, no passado, o mais comum era que as cervejeiras utilizassem recipientes de vidro verde. Foi somente nos anos 1930 que a indústria descobriu que o vidro marrom desempenhava melhor a função de filtro.

O professor do curso de Beer Sommelier e Home Brewer do Centro Europeu, Guilhermo Spindola, diz que a utilização de garrafas verdes ou transparentes atualmente segue mais uma questão mercadológica. “É uma forma de diferenciar o produto e ocupar nichos de mercado”, conta.

Mas para que a luz não afete o sabor da cerveja, o professor revela que as marcas utilizam lúpulos diferenciados. No caso das cervejas mexicanas, como a Corona ou a Sol - que têm garrafas transparentes - Spindola explica que a bebida é feita com um lúpulo especial, mais resistente à oxidação provocada pelo contato com a luz.

Cervejas em garrafas transparentes têm lúpulo especial.

Já no caso da Heineken, famosa por sua garrafa verde, a marca segue uma lógica que tem a ver, principalmente, com sua receita centenária. “Eles usam a garrafa verde exatamente porque querem que haja um pouco de alteração no sabor e no aroma. Faz parte da estrutura do tipo de cerveja deles. E acabou virando parte do merchandising”, explica o mestre José Florindo. Ou seja: cerveja com um pouquinho de “skunky”.

Fonte: Berggren